Marcel Cognette formou-se médico pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro em 2010. É urologista com ênfase em uro-oncologia e cirurgia robótica, e titular da uro-oncologia do Hospital do Câncer Araújo Jorge, em Goiânia.
Passa os dias dentro do próprio objeto deste livro. Opera tumores a metros do corpo do paciente, com as mãos limpas, guiando braços mecânicos por milímetros de tecido que a mão nua jamais alcançaria. Viu de perto a medicina vencer a dor, o erro e a mutilação. E viu, no mesmo movimento, o toque desaparecer do ato de curar.
Escreveu o livro por três motivos, e é honesto declará-los. Primeiro, porque é médico, e a medicina é a linha de frente do fenômeno que descreve: nenhuma outra profissão anestesia tanto, mede tanto e toca tão pouco. Segundo, porque é pai, e assiste, em casa, à mesma tecnologia que domina no hospital moldar dois filhos pequenos de um jeito que ainda não sabemos nomear. E terceiro, porque, tendo passado a vida removendo o sofrimento das pessoas, começou a suspeitar de que estamos removendo, junto com ele, coisas que não deveríamos: a fome, a espera, o tédio, o atrito, o encontro.
É casado com Rayssa e pai de Lucca e Maria Júlia — a razão silenciosa da maior parte dessas páginas.